Cirurgia plástica em adolescentes
A procura quadruplicou em cinco anos, o que merece a atenção para as motivações e as conseqüências da intervenção nessa fase da vida
O número de cirurgias plásticas vem aumentando consideravelmente nos últimos tempos e com isso, a presença do adolescente também ficou mais constante nos consultórios médicos, sendo necessário dar mais atenção às suas motivações, seus problemas e as conseqüências das plásticas nessa pessoa. No adolescente, porém, a atenção deve ser redobrada, não podendo existir pressa para a realização da cirurgia.
Todos nós, principalmente aqueles que têm filhos, sabemos que o adolescente está em constante mudança, e que a sua vontade por uma plástica hoje pode não ser a mesma amanhã, podendo não aceitar os resultados conseguidos. Além disso, advogo que na adolescência e na infância deve-se evitar tomadas de atitudes definitivas ou irreversíveis.
Determinar os efeitos da plástica em um organismo em desenvolvimento não é muito fácil, mas hoje essas condutas até estão mais padronizadas. Mesmo assim, o problema principal é o aspecto psicológico do adolescente, que deve ser bem analisado para conseguir boa indicação para a cirurgia, de maneira que seus anseios sejam atingidos e os tratamentos fiquem dentro de sua expectativa.
Quando se chega à conclusão de que o problema em si está dificultando o relacionamento do jovem com seu grupo social tendo-se o apoio da família, de educadores e até de psicólogos, inicia-se um planejamento de cirurgia.
Se a cirurgia plástica normalmente influencia a vida de quem a procura, as alterações no adolescente são muito mais perceptíveis, e, em geral, contribuem para o seu desenvolvimento psicossocial quando bem indicada. Normalmente no primeiro curativo são notadas sensíveis alterações como postura corporal e fala mais espontânea.
Ainda assim, com todos os benefícios, devemos lembrar que os riscos inerentes à cirurgia, anestesia, medicamentos e outros fatores sempre irão existir, e se nossa geração, que passou pela adolescência há 20, 30 anos, resolveu suas "neuras" sem recorrer a cirurgias, por que os adolescentes de hoje também não podem resolvê-las da mesma maneira? Ou devem se comportar usufruindo de todos avanços da sua era? Essas questões ficam em aberto para serem discutidas no consultório médico caso a caso.